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03/10/2019 09:11:38

Dois peixes fora d’água é a crônica desta semana divulgada pela Aojustra
Concurso da Aojustra segue até o final de novembro: participe você também!

“Dois peixes fora d’água” é o tema da crônica divulgada nesta semana no concurso sobre o Dia a Dia do Oficial de Justiça promovido pela Aojustra. A Associação recebe, até o final do mês de novembro, os textos remetidos por Oficiais de Justiça de todo o Brasil, com o objetivo de registrar a atividade através de histórias reais que podem ser engraçadas, sensíveis, inusitadas ou até sobre os riscos enfrentados no cumprimento das ordens judiciais. 

Os cinco primeiros colocados serão contemplados com uma viagem para Colônia de Férias em Caraguatatuba conveniada com a Associação, além de outros prêmios que serão entregues aos participantes durante a confraternização de final de ano marcada para 28 de novembro.

Para participar, o Oficial deve enviar a crônica para os e-mails aojustra@outlook.com e ane.galardi@gmail.com. É importante que o texto esteja devidamente identificado com o nome completo do autor, bem como a lotação e um número de telefone para contato. 

“Convidamos mais Oficiais a se inspirarem e nos enviarem crônicas para que consigamos implementar a ideia da elaboração de um livro sobre o dia a dia do oficialato”, afirma o presidente Thiago Duarte Gonçalves.

O texto desta semana é mais uma contribuição de autoria da Oficiala de Justiça Bruna Vivian Eustachio de Toledo Piza, da 27ª VT/SP. 

Confira:

Dois peixes fora d'água
Por Bruna Vivian Eustachio de Toledo Piza (27ª VT/SP)

Há alguns anos atrás recebi um mandado de Constatação para ser cumprido numa rua nobre de São Paulo, no Bairro de Santana, lugar de gente fina e imóveis luxuosos.  Não me lembro com exatidão o nome da empresa, mas era algo parecido com "Bem Estar Entretenimentos Ltda". 

Ao chegar no local fui informada pela vizinhança que ali funcionava uma casa noturna, que só abria após às 18h. Então combinei com uma colega Oficiala super alto astral, que tem a Alegria até no nome, de sairmos juntas numa noite daquela semana para efetuarmos algumas diligências em dupla: uma Penhora e Avaliação numa pizzaria, uma Citação Inicial de um sócio que ela nunca encontrara durante o dia e a Constatação - assim uma poderia ajudar a outra e evitaríamos correr riscos. A profissão de Oficial de Justiça é muito solitária e cheia de imprevistos, além de nunca sabermos quando e onde poderá estar o perigo. 

Fomos primeiramente na casa do sócio e na pizzaria e deixamos a empresa Bem Estar por último. 

Ao chegar na casa noturna, notamos que estava toda iluminada, mas de forma discreta. Adentramos no local e a iluminação interna chamou mais ainda a nossa atenção, com muitas luzes vermelhas e um globo giratório no centro. Belas mulheres circulavam apenas de lingerie, cintas-ligas, espartilhos e salto alto. Ao som de músicas sensuais, algumas dançavam pole dance, realizando as coreografias na barra vertical com um equilíbrio invejável. O clima de erotismo realmente estava esquentando por lá. 

Uma das moças estranhou a nossa presença de terninho e pasta de couro e veio conversar conosco. Pedimos para conversar com o/a responsável pela casa. Então surgiu uma mulher muito sensual, usando roupas decotadas e exageradamente curtas, que prontamente nos atendeu, perguntando de forma bem natural:

- Boa noite! Tudo bem? Vocês vieram para a entrevista? 

Respondemos um "Não!" em uníssono, arregalamos os olhos e seguramos a risada. Esclarecemos que estávamos cumprindo uma ordem judicial e que era necessário constatar se uma ex-funcionária havia exercido a função de garçonete naquele local. 

A Gerente nos explicou que tratava-se de uma casa de massagem e que quando os clientes estavam nos quartos, eventualmente pediam um drink, que era servido pela acompanhante, mas nos mostrou que não havia garçonete, inclusive perguntamos para algumas garotas que estavam ali e elas confirmaram que, de fato, a reclamante daquele processo não havia exercido a função de garçonete, e sim de massagista, nome que davam às garotas de programa. 

Agradecemos e saímos de lá o mais breve possível, para que pudéssemos rir à vontade da vez em que, no cumprimento de uma diligência, fomos as duas únicas mulheres completamente vestidas dentro de um estabelecimento e, ainda assim - com pastinha na mão e tudo - confundidas com candidatas à massagistas. 

(Essa passagem inusitada me foi contada pela Oficiala Mônica Zorzetto e eu não podia deixar de transformá-la em crônica. Afinal, mais do que a facilidade com as palavras, é imprescindível ter uma boa história pra contar.)


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Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo