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03/07/2019 16:30:07

Concurso de crônicas: Aojustra divulga mais textos participantes
Concurso da Associação vai até 10 de agosto. Participe!

A Aojustra divulga abaixo outros dois textos concorrentes do Concurso de Crônicas sobre o trabalho na execução dos mandados. O intuito é registrar a atividade do Oficial de Justiça, através de histórias reais que podem ser engraçadas, sensíveis, inusitadas ou até sobre os riscos enfrentados no cumprimento das ordens judiciais. 

Para participar, o Oficial deve enviar a crônica para os e-mails aojustra@outlook.com e ane.galardi@gmail.com. É importante que o texto esteja devidamente identificado com o nome completo do autor, bem como a lotação e um número de telefone para contato. 

“A cada nova semana a Aojustra recebe textos de colegas Oficiais com histórias reais do dia a dia na função. Convidamos mais Oficiais a se inspirarem e nos enviarem crônicas para que consigamos implementar a ideia da elaboração de um livro”, afirma o presidente Thiago Duarte Gonçalves.

O prazo para participação no concurso da Aojustra termina em 10 de agosto. 

Na divulgação desta semana, a Aojustra apresenta os textos enviados pelas oficialas Miriam Barbosa Dias da CIAO de Santos e Ana Galardi, aposentada.

Confira as duas crônicas:

A mulher difícil
Por Miriam Barbosa Dias (CIAO Santos)

Por volta do ano de 2003...era lotada na 1ª Vara de Santos SP quando caiu um mandado de intimação de cálculos em nome de uma pessoa física, em uma casa, na minha área de atuação.

Para cumprir esse mandado fui dia e noite e simplesmente não achava a tal mulher em casa, até que fui tarde da noite e achei a mulher em casa...que leu..releu..o mandado umas 200 vezes..levando uns 45 minutos até assinar um simples mandado.

E essa epopéia se repetiu em TODAS as fases do processo..a má vontade..os xingamentos proferidos a mim...minha genitora e mais todos impropérios  a que todo Oficial de Justiça está para lá de acostumado... e mais: a mulher teve a pachorra de me dizer que não atendia a porta pois podiam ser pedintes...rs

Uma bela noite em outro mandado para esta mesma mulher...a Oficial que vos escreve foi ao local com outro mandado...e toca a campainha, bate palma....buzina...coloca os faróis do carro na residência e NADA!

Tais procedimentos eu repeti à exaustão...e nada de encontrar ninguém.

Nós fazíamos plantões semanais nas Varas: e ouço da mesa dos oficiais ...o atendente do balcão falando com o advogado sobre o tal processo da fulana...

Eu mais que depressa levantei e fui falando para o advogado: olha doutor...IMPOSSÍVEL citar aquela mulher..já fui de dia...de manhã..de madrugada..vários dias ...e NADA! NINGUÉM me atende...

Aí o advogado me fala: não ...mas eu vim aqui pois vi seus bilhetes no jardim Oficial Miriam...para informar q a Dona Fulana de Tal foi encontrada MORTA dentro de casa há mais de 20 dias...por isso você nâo conseguia encontrá-la...bom ainda bem que ninguém veio me atender nesse período ( pensei eu).

A Secretaria ficou uns três meses tirando sarro de mim.. Eu queria citar a morta! Cruzes! 



Auto análise
Por Ane Galardi (aposentada)

O Porteiro do edifício disse que era para eu subir ao apartamento do Sr. Eduardo. Isso não é muito comum no nosso ofício, pois as pessoas preferem descer para nos atender, mas nunca sabemos se a pessoa está com algum problema de locomoção, se é muito idoso, bom, lá fui eu.

Ao chegar ao apartamento, era uma pessoa de uns 40 anos, educado, muito bem arrumado. Entreguei a ele a citação, ele leu, assinou o recebimento, olhou para mim e disse: “Sabe de quem é a culpa disso?”

Eu, escoladíssima com a argumentação dos devedores, já pensei “sei, sim, do seu sócio canalha que te passou a perna e ficou com a melhor”, “sua ex-esposa que era sua sócia e sabia do caixa 2 e ameaçou denunciá-lo à Receita Federal”, “o empregado sem caráter que estava te roubando”...

De repente, para a minha enorme surpresa, ele disse: “a culpa é toda minha!”

Como? O sr. está bem? Alucinou? Quer que eu chame a ambulância?

E ele continuou: “olha, eu não sirvo para ser empresário, sou péssimo nisso, e agora tenho que aguentar as consequências.”

Quase dei um beijo nele, mas me contive e elogiei a sinceridade: “Parabéns, daqui para a frente, assim que o senhor se livrar dessas pendências, sua vida será ótima, pois o senhor saberá onde deve ou não pisar. Tudo dará certo!”

CLIQUE AQUI e veja todos os textos enviados para o concurso da Aojustra

Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo